10 outubro 2005

361 a 365 (gude a Hitchcock)

361 - gude
No leito da morte, o ancião relembrava toda a sua vida. Tudo o que desejava agora era ter de volta suas bolinhas de gude.

362 - dupla
Dr. Jekyll e Mr. Hyde formaram uma dupla caipira. Os espetáculos foram um fracasso, pois quando um subia ao palco ninguém achava o outro.

363 - lolita
Lolita era tão terrível na arte da sedução que seu ursinho de pelúcia vivia morto de tesão.

364 - maestrina
Na cozinha as panelas cantam, na sala os estômagos roncam. A maestrina dá os últimos toques nessa sinfonia com o tilintar dos talheres ao pôr a mesa.

365 - hitchcock
Olga gostava tanto de viver com segurança momentos de pavor, que sempre colocava fundos musicais de filmes de Hitchcock ao tomar banho no chuveiro.
Microcontos de Carlos Seabra - http://seabra.com/microcontos

Anonymous João das Couves said...

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11/2/09 12:14  
Blogger Laís Sartori said...

Carlos,

Comecei a pesquisar microcontos há pouco tempo e quando cheguei a você, por incrível que pareca, fiquei frustrada, porque achava que a idéia genial de distribuir "livros" e contos pelo celular tinha sido minha. Na verdade, a minha envolvia bluetooth e cartazes no metro ("Ligue seu bluetooth e viaje conosco" ou algo do tipo)

Não terminei de ler todos os microcontos, mas estou adorando. Há idéias muito boas e meu preferido até agora é o "Varal".

Porém(e aqui vai minha desculpa antecipada se você achar que estou sendo chata, intrometida ou algo assim), há algo neles que me incomoda: Os títulos. Me fica muitas vezes a impressão que eles ou entregam demais ou são apenas ecos do que o conto dirá.

Uma vez eu li "Memórias Sentimentais de João Miramar" e o que mais mexeu comigo foi como Oswald usava os títulos sabiamente. Lembro de um trecho que se chamava Natal e que apenas dizia: "Minha sogra virou avó". Não é o máximo?

Tentei aplicar isso a seus textos. Apenas como exemplo, vou usar uma das idéias que mais gostei:

342 – crueldade
Supremo requinte da crueldade, ela lambia os dedos depois de comer chocolate, saboreando o súbito silêncio dos colegas no escritório.

Trocando o título por Chocolate e omitindo a palavra do conto, ele ficaria menor, sem perder nada do sentido.

Eu não sei se me fiz entender. Tentei tomar o cuidado para não parecer que quero te ensinar a fazer nada, até porque, eu não sei.
Mas, não consegui conter essa "crítica", que espero que seja vista de maneira construtiva.

Meus melhores desejos e continue com esse trabalho lindo!

3/8/09 16:22  
Blogger Carlos said...

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9/8/09 14:57  
Blogger Carlos said...

Prezada Laís,

Obrigado por seus comentários. Realmente, não deve haver título, inclusive porque a proposta destes meus microcontos é poderem caber em mensagens de texto via celular, SMS, e o título em muitos casos faria ultrapassar o número de toques.

Veja, na lateral do blog, que eu disse que os meus microcontos não possuem título, sendo somente uma forma de organização e indexação:

AVISOS E OBSERVAÇÕES

Os microcontos aqui publicados estão numerados e com uma palavra intitulando-os meramente com fins de organização interna deste blog, não fazendo parte do texto. Ou seja, sua reprodução não necessitará possuir título, podendo limitar-se ao conteúdo do microconto e à citação de autoria.

Abraços!
Carlos

9/8/09 15:02  
Blogger Pedra do Sertão said...

Gostei muito dos microcontos e dos títulos também, apesar de entender que isso não é necessário. Parabéns!

28/2/10 18:38  

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